Relações

Quer ser feliz ou ter razão?

Sobre flexibilidade, crenças, hábitos herdados e a escolha de se relacionar de forma mais leve consigo e com os outros.

GF
Glaucia Freitas

Psicóloga clínica e coach

No que diz respeito ao mundo das relações, é muito mais saudável pensar em ser feliz, pois esse é o caminho de se relacionar melhor consigo próprio e com os outros, o que faz a vida ficar mais leve e mais saudável.

Como diria o filósofo Sócrates: “Só sei que nada sei”. Para quê ter a certeza de tudo e querer ter razão sempre? Com o mundo em constante mudança, a verdade é que não temos a certeza de nada. Por outras palavras, o que está certo hoje, poderá não estar certo amanhã.

A nossa percepção da realidade determina o nosso comportamento, mas são as nossas crenças e os valores que a influenciam.

Existem hábitos que estão ligados à crenças e valores, os quais foram adquiridos pelos seus pais e passados à você.

Sabe aqueles hábitos dos seus pais que você tanto criticou e disse que jamais faria? Sim, isso mesmo, como você não os resolveu internamente, hoje você se vê fazendo exatamente como seus pais.

Você já parou pra pensar que hoje, esses mesmos hábitos, você está passando para os seus filhos?

Convido-o(a) a pensar em relação aos seus hábitos.

O hábito refere-se a determinado pensamento, comportamento ou maneira de fazer algo, adquirido por repetição ou reforço da própria pessoa ou dos outros.

A maioria das decisões que tomamos, parecem ter sido escolhas muito bem pensadas, mas na verdade são os hábitos que nos impulsionam para a tomada de decisão. E sabe o motivo de não ter consciência, pois alguns hábitos estão sendo praticados inconscientemente.

Não faz sentido querer resultados diferentes, fazendo sempre as mesmas coisas. É preciso sair da zona de conforto!

Se você acha mais fácil identificar o problema no outro e ainda querer que o outro mude, essa expectativa não existe. Pois, você não tem controlo do outro, o único controlo está em si mesmo. Quando você muda, tudo a volta muda!

Dicas para reflexão:

  • analisar e avaliar os hábitos e as atitudes que contribuem para o sucesso e quais podem estar a dificultar o seu desenvolvimento e progresso;
  • como usar o hábito para conseguir o queremos;
  • pensar em novas formas de realizar uma determinada tarefa e de resolver um problema;
  • pedir sugestões de novas abordagens a outras pessoas (feedback);
  • mudar a rotina de forma consciente.

É extremamente importante observar e perceber os seus hábitos:

Sinal verde, são os hábitos que lhe fazem bem e que deves continuar a ter.

Sinal amarelo, são os hábitos que precisas ter muita atenção e analisar os resultados, as consequências.

Sinal vermelho, são os hábitos que devem mudar, os quais não fazem sentir-se bem, lhe traz desconforto e resultados negativos.

“A fuga é o instrumento mais seguro para se cair prisioneiro daquilo que se deseja evitar” (Sigmund Freud).

A mudança de hábito só ocorre quando aceitamos, ou seja, quando temos a consciência do hábito que precisa ser mudado. O hábito pode ser mudado, quando percebemos como funciona. O processo de mudança do hábito não é rápido e nem simples, mas é possível!

É importante, também, perceber que não tem limite de idade para iniciar o processo de mudança, o fundamental é querer mudar. Nunca é tarde!

Quando você pensa que as suas verdades são verdades absolutas, está na hora de parar e refletir a respeito das suas opiniões. Como você costuma conversar com as pessoas? Só você fala ou você também tem uma escuta ativa? Você realmente ouve o que as pessoas falam e se interessa pelo que elas estão a falar? Você precisa se colocar no lugar do outro, você não é o dono da verdade!

Ninguém está totalmente certo e ninguém está totalmente errado.

“É parte da cura, o desejo de ser curado” (Filósofo Sêneca)

Com a ajuda de um psicólogo é possível identificar as experiências e os pensamentos que provocam algum trauma, tais como o medo, a depressão, a ansiedade, a insegurança, o que conduz a identificar e a encarar de frente as diferentes emoções que podem conduzir à cura.

O psicólogo tem o papel de facilitador e ajuda a resolver os problemas que precisam de ser expostos, pois através da fala, da expressão verbal, os problemas diluem, a mente fica limpa e organizada.

Você quer ser feliz ou ter razão?

Boa missão à todos!